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terça-feira, fevereiro 21, 2006

um minutinho...

Olá amigos(as),
Hoje na reunião do grupo em BH, uma pessoa contou que sua filha participou de um retiro budista e o monge deu a seguinte dica:
quem tem um desses relógios que dá um pequeno toque de hora em hora, ou que tenha cronômetro, que a cada hora que o relógio der esse sinal, a pessoa pare o que estiver fazendo e - por um minuto - silencie e ofereça-se a Deus, no desejo de estar em Sua Presença!
Achei legal e quis partilhar com vocês. Essa pessoa está fazendo isso. Contou que claro, algumas vezes é impossível parar. Pode-se estar conversando com alguém que não dê para interromper, etc... mas que algumas vezes ele pediu licença, foi ao banheiro e lá fez seu minuto de silêncio.
É um exercício que nos ensina muitas coisas.
Primeiro, desapego. Aprendemos a nos desapegar da nossa mania de 'ter que fazer', tudo prá ontem, por exemplo.
Nos dá também uma possibilidade de aprender que - nada é tão urgente assim, tão dramático, definitivo, nada que precise nos deixar ansiosos e angustiados.
Ficamos mais centrados no "Aqui e Agora", na verdade, tudo o que temos.
Nos levará paulatinamente à Prática da Presença de Deus.
Lembrei-me do Ir. Laurence da Ressurreição.
Traduzi seu texto maravilhoso e está no site há algum tempo, "Prática da Presença de Deus!" Ele era cozinheiro de um mosteiro, nunca gostou de panelas, cozinha, etc... mas era muito feliz em meio àquilo tudo, porque estava sempre na Presença de Deus!
Um abraço fraterno,
Jandira

2 comentários:

Talita disse...

Olá, Jandira

Em 2004 escrevi um texto sobre isso (as famosas sincronicidades!), que quero reproduzir aqui:

QUANDO O SINO TOCA

Ouvi certa vez, na casa do Zenon Lotufo, a história de uma cidadezinha onde o sino da igreja tocava de hora em hora, para que as pessoas parassem o que estavam fazendo e se lembrassem de que Deus estava presente ali, naquele momento. Eu me lembro que o Antonio (meu marido), na época, chegou a ajustar seu relógio de pulso para fazer um "BIP-BIP" a cada hora, a fim de fazer o exercício de conscientização da presença de Deus. Já faz muitos anos.

Recentemente a Igreja do Calvário, que fica em Pinheiros, a duas quadras da nossa casa, reativou seus sinos e os faz tocar em dois tons - primeiro o agudo, mais para o fim o grave - às 9h00, 12h00, 15h00 e às 18h00. No último horário os sinos encerram sua jornada com um toque mais prolongado e significativo.

Tenho me predisposto a experimentar um "tempo de eternidade" toda vez que o sino toca. Ele sempre me pega de surpresa - ao estar ocupada com alguma tarefa, não me dou conta das horas. Mas ao primeiro toque do sino agudo vem o lembrete doce e eu paro o que estou fazendo, respiro fundo e fecho os olhos onde estiver: Deus está ali. Sempre esteve, mas nesse momento eu tomo consciência da sua presença.

É um shabbat fora do seu dia habitual. Os judeus buscam no shabbat a santidade do tempo. Eu tenho buscado naqueles segundos a santidade do espírito.

Parafraseando o teólogo judeu Abraham Joshua Heschel, durante todo o tempo tiramos nosso sustento da terra. Nessa pausa santa, vamos cuidar especialmente da "semente da eternidade plantada nas nossas almas".

Esta pausa pode ser o nosso tempo devocional pela manhã, pode ser um dia específico (shabbat), pode ser o tempo do culto - ou pode ser quando o sino toca...

Ainda mencionando o pensamento de Heschel, esta pausa é um "tempo onde o alvo não é ter, mas ser, não é possuir, mas dar, não é ter o controle, mas partilhar, não é vencer, mas entrar em acordo".

Quando o sino toca, experimento um tempo em que é possível deixar todos os problemas de fora - por alguns segundos não os tenho - e sentir o ar puro do Espírito de Deus entrando pelas narinas. Acalma e refaz.

Jandira S. Pimentel disse...

Olá Talita,
Muito obrigada pela sua contribuição. Muito legal mesmo!
Agradeço e vou até partilhá-la com meus amigos online, pode né?
Um grande abraço,
otimo descanso de carnaval pra vc, onde vc possa experimentar muitos desses momentos de eternidade.
Um beijo grande,
jandira